Cold call: o que muda em 11 de agosto de 2026 — e o que não muda
A prospecção por telefone é uma ligação de vendas não solicitada de um profissional que está tentando lhe vender um bem ou serviço. A partir de 11 de agosto de 2026, esta angariação passa a ser proibida sem o seu consentimento prévio, e a lista Bloctel desaparece. Este é um verdadeiro progresso para a paz. Mas para um pai idoso, a questão que importa é diferente: reduz o risco de ser enganado? A resposta honesta é não.
Por Charlie BART - Publicado em 2 de agosto de 2026
Em resumo: a França está a passar de um regime de oposição (poderíamos telefonar-lhe, a menos que se tivesse registado no Bloctel) para um regime de consentimento prévio (só lhe poderemos telefonar se disser sim). A mudança decorre da lei de 30 de junho de 2025, esclarecida pelo decreto de 23 de julho de 2026, e vale a partir de 11 de agosto de 2026. Chamadas fraudulentas já eram ilegais – e assim permanecem, sem nenhuma mudança prática para os golpistas.
O que realmente muda em 11 de agosto de 2026?
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O consentimento deve ser explícito. Deve ser livre, específico, esclarecido, inequívoco e revogável, expresso por um ato claro e positivo. Uma caixa já marcada não vale nada e concordar com os termos e condições não é suficiente.
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É limitado no tempo. Um ano no máximo, sem renovação tácita. A empresa deve indicar-lhe esta duração e especificar a natureza dos bens ou serviços em causa.
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Você pode retirá-lo a qualquer momento, inclusive oralmente, durante a ligação. O profissional deve então encerrar a ligação sem demora.
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O ônus da prova cabe à empresa. Não cabe mais a você demonstrar que recusou: cabe ao profissional provar que tem o seu acordo, e mantê-lo.
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Um contrato obtido em violação não é válido. Qualquer contrato celebrado na sequência de angariação que não respeite estas regras é nulo e a empresa fica exposta a sanções administrativas.
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Restam duas exceções. Um recurso relativo a um contrato atual continua a ser possível. E se tiver solicitado expressamente ser lembrado sobre a renovação energética ou adaptação da habitação à velhice e deficiência, o lembrete é aceite num curto espaço de tempo.
O que acontece com a colportagem antes e depois de 11 de agosto?
A pesquisa é autorizada por padrão. Para não ser mais chamado é preciso se cadastrar no Bloctel. As ligações são permitidas de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h. e 14h às 20h, e proibido aos sábados, domingos e feriados.
A colportagem é proibida em princípio. É necessário consentimento prévio explícito, válido por um período máximo de um ano. Bloctel torna-se irrelevante e desaparece. O silêncio não constitui mais autorização.
Por que a reforma não impede as fraudes?
A reforma é voltada para empresas que desejam vender legalmente. Um golpista não se enquadra nessa estrutura: ele já está cometendo uma fraude, muitas vezes associada ao roubo de identidade. Três razões explicam porque a nova regra o deixa indiferente.
- Ele já não seguiu nenhuma regra. Bloctel, intervalos de tempo, proibição de falsificação de número: nada disso jamais impediu um fraudador. Adicionar um requisito de consentimento não altera seu cálculo.
- Ele não está ligando de um ambiente identificável. As chamadas fraudulentas passam frequentemente por plataformas localizadas fora de França e por números falsificados. A sanção administrativa exige que uma empresa identificável seja sancionada.
- A sua influência não é comercial, é emocional. O falso assessor de banco ou o falso policial não vendem nada: criam urgência e medo. Nenhuma regra de prospecção se aplica a isso.
Existe até um efeito perverso a ser observado. Se ligações de vendas legítimas se tornarem raras, um ente querido poderá concluir que uma ligação desconhecida deve ser inofensiva – “já que agora é proibida”. No entanto, a percentagem de chamadas desconhecidas de origem fraudulenta não está a diminuir. Menos ruído não significa menos perigo.
O que você pode fazer para realmente proteger um ente querido idoso?
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Uma regra simples e absoluta, repetida em família: nunca comunicamos por telefone um código recebido por SMS, um identificador bancário ou um número de cartão. Sem exceções, com quem você fala.
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O reflexo de desligar e ligar de volta, com um número que já temos: o que está no verso do cartão do banco, ou 17 para polícia e gendarmaria. Nunca dite um número durante a chamada.
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Filtragem upstream de chamadas desconhecidas. É o único mecanismo que atua antes do início da conversa – portanto da manipulação. UM filtrar por lista de números não é suficiente : os números mudam constantemente.
O que o Kin-Guard muda após 11 de agosto de 2026?
A lei reduz o número de ligações de vendas legítimas. Ela nada diz sobre ligações fraudulentas, que continuarão chegando de números desconhecidos ou falsificados. O Kin-Guard atua justamente nisso: o assistente responde em nome do seu ente querido, pergunta a identidade e o motivo de quem liga e analisa os sinais característicos de um golpe – urgência fabricada, solicitação de código, pressão para validar uma operação. A chamada só é transmitida se for legítima.
Perguntas frequentes
Artigo escrito por Charlie BART, fundador da Kin-Guard. Publicado em 2 de agosto de 2026. Este artigo apresenta informações gerais e não constitui aconselhamento jurídico.
Fontes: Service-Public.fr — Proibida angariação telefónica: quais são as novas regras? · CNIL — Prospecção comercial por telefone · lei nº. 2.025-594, de 30 de junho de 2025 (artigo 13) e decreto nº. 2026-662 de 23 de julho de 2026, artigos L. 223-1 e R. 223-1 a R. 223-4 do Código do Consumidor.
A lei filtra os vendedores. Kin-Guard filtra fraudadores.
O Kin-Guard atende estranhos em nome do seu ente querido, analisa a ligação e só a repassa se for legítima.